Existem dois jeitos de uma empresa pagar uma viagem a trabalho: ela paga direto (cartão corporativo, faturamento, compra feita pelo financeiro) ou você paga e ela te devolve depois (reembolso). Na prática, quase toda viagem mistura os dois. E é nessa mistura que nascem os relatórios devolvidos.

Os dois modelos

Cartão corporativo (ou pagamento direto)

A despesa sai da conta da empresa. Pode ser um cartão no seu nome com a fatura indo para a empresa, um hotel faturado direto, uma passagem comprada pela agência de viagens ou pelo financeiro.

Você não recebe nada de volta, porque não gastou nada seu. Mas ainda precisa prestar contas: a empresa quer saber o que foi pago, por quê e ver o comprovante.

Reembolso

Você paga com o seu dinheiro (cartão pessoal, Pix, dinheiro) e a empresa devolve depois, de acordo com a política. Aqui, além do comprovante, entra a conta do quanto você tem a receber.

O que vai no relatório

Tudo. Despesa paga pela empresa e despesa paga por você entram no relatório da viagem, cada uma com o seu comprovante.

O que muda é o que entra no valor a reembolsar:

DespesaNo relatório?No reembolso?
Hotel faturado para a empresaSimNão
Almoço no cartão corporativoSimNão
Táxi pago no seu cartãoSimSim
Jantar acima do teto, pago por vocêSimSó até o teto
Compra pessoal, em qualquer cartãoNão*Não

* Se uma compra pessoal foi parar no cartão corporativo por engano, avise o financeiro: normalmente você devolve o valor.

Por que separar faz tanta diferença

Imagine uma viagem com R$ 2.000 em despesas: R$ 1.200 no cartão corporativo e R$ 800 pagos por você. Se o relatório disser só “total: R$ 2.000”, o financeiro precisa descobrir sozinho o que já foi pago. Na pior das hipóteses, ele reembolsa R$ 2.000 e depois cobra de volta; na mais comum, devolve o relatório pedindo para separar.

Com cada despesa marcada, o relatório já diz: gasto total R$ 2.000, pago pela empresa R$ 1.200, a reembolsar R$ 800. Sem ida e volta.

Erros comuns

  1. Pedir reembolso do que foi no cartão corporativo. Acontece mais do que parece, principalmente quando o cartão corporativo e o pessoal são da mesma bandeira.
  2. Não incluir no relatório o que a empresa pagou. “Já foi pago” não dispensa o comprovante. A empresa precisa dele para a contabilidade.
  3. Usar o cartão corporativo para algo pessoal “e acertar depois”. Se a política permite, ótimo. Se não, é o tipo de coisa que gera conversa desconfortável.
  4. Perder o comprovante da despesa paga pela empresa. A fatura do cartão mostra o valor, mas não o que foi comprado. Fotografe o recibo do mesmo jeito.

Como registrar no dia a dia

A regra é a mesma para os dois modelos: fotografe o recibo na hora. A única diferença é marcar quem pagou.

No Receiptly, cada despesa de uma viagem a trabalho tem a opção “Pago pela empresa”. Despesas marcadas aparecem no relatório e no PDF com os comprovantes, mas ficam fora do valor a reembolsar. O resumo da viagem mostra separado quanto você gastou, quanto a empresa pagou direto e quanto você tem a receber.


Cartão corporativo e reembolso não competem: convivem na mesma viagem. O segredo é marcar quem pagou cada despesa no momento em que ela acontece, e não tentar lembrar disso no fim do mês.